segunda-feira, 23 de junho de 2008

O PCB se posiciona pela vida e contra o capital!

1. Considerando que a Constituição federal de 1988 deliberou pela demarcação das terras indígenas.

2. Considerando que os povos indígenas têm direito à terra como parte essencial de sua forma de vida, de sua cultura e sua identidade, assim como, da mesma maneira que qualquer povo, tal direito implica em mudar seus costumes e buscar formas de convivência com outras culturas, preservando aquilo que lhes parecer fundamental e incorporando aquilo que considerem adequado.

3. O PCB (Partido Comunista Brasileiro) vem posicionar-se pela imediata demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol de forma contínua como determina a lei.

4. O atraso da demarcação é revelador do caráter do atual governo, submisso aos interesses do grande capital, do agronegócio e dos setores financeiros. O fundo da questão em foco reside na qualidade do uso da terra como valor de uso fundamental à vida ou mercadoria a ser explorada com vista à mercantilização.

5. O grande problema da Amazônia é fundiário, sendo que mais de 75% das terras não têm titulação. Foi exatamente a ausência de uma política definida que permitiu a ocupação desordenada, o crescimento de uma pecuária de baixíssima produtividade (2 cabeças por hectare enquanto a média nacional é de 7), de uma extração de madeira que corresponde a 35% do PIB de Rondônia e do desenvolvimento desordenado da rizicultura, concentrada nas mãos de sete proprietários.

6. A reserva proposta possui 1,67 milhão de hectares e é habitada por aproximadamente 15 mil índios das etnias Macuxi, Tauarepang, Patamona, Ingarikó e Wapixana, que ocupam 152 aldeias. É fundamental propiciar as condições para que não se desarticule o modo de vida destes povos, inclusive permitindo que povos ainda não contatados possam escolher manter-se como estão. Por mais de vinte anos, considerando a aprovação da Constituição, estes povos esperam pela demarcação que, ao não se efetivar, criou vários problemas de ocupação irregular, inclusive a criação de um município dentro da reserva, estradas e várias iniciativas produtivas entre os povos originários e diversos tipos de interesses privados, desde pequenos agricultores, madeireiras, mineradoras e interesses do agronegócio incentivado pela expansão da fronteira agrícola.

7. A demarcação descontínua acaba por premiar aqueles que irregularmente realizaram a ocupação e inviabiliza a possibilidade da autonomia necessária para que os povos que ali se encontram busquem manter sua identidade cultural e sua forma de vida, condenando-os a uma inevitável incorporação forçada e subalterna na lógica da sociedade do capital, engrossando a massa de despossuídos e miseráveis.

8. Roraima tem aproximadamente 40 mil indígenas, o que corresponde a uma das maiores concentrações do Brasil. A questão se resume em decidir se será mais uma área de expansão do capital ou de respeito à vida e à preservação sócio-ambiental.

9. O PCB se posiciona pela vida e contra o capital e denuncia a intenção perversa de vincular a luta pela demarcação das terras indígenas como perda da soberania, uma vez que tal demarcação não implica na renúncia de qualquer direito sobre defesa de fronteiras ou riquezas minerais, mas sim no direito de os povos originários viverem e decidirem sobre seu futuro, incluindo a forma e a oportunidade de disporem daquilo que constitui seu patrimônio. O que fere os interesses de nosso país e dos trabalhadores é o papel do latifúndio e do agronegócio em áreas de fronteira, ligados à contravenção, à extração ilegal de madeira, ao desmatamento indiscriminado e ao saque das riquezas minerais pelas transnacionais.

10. É fundamental que os povos indígenas se mobilizem e busquem formas de auto-organização, contanto, quando for o caso, com apoio de organizações idôneas e reconhecidamente sérias que respeitem sua autonomia e forma de vida e negando a perversa influência de ONGs que, sob o manto de organizações não governamentais, servem de meio para pregações religiosas e outros objetivos escusos, como a biopirataria, que desarticulam as culturas e identidades locais facilitando a incorporação subordinada a uma sociedade que os quer destruir e condenar à miséria e à fome.

11. A solução estrutural para o problema da Amazônia e das nações indígenas é a demarcação das terras indígenas, uma política indigenista de suporte e apoio em tudo que for necessário para uma vida digna àqueles povos, para a manutenção das suas formas tradicionais de vida e o oferecimento de serviços essenciais de saúde, educação e outros. Mas tais ações devem necessariamente ser combinadas com uma reforma agrária sob controle popular, assim como uma nova política agrícola voltada à vida e não ao lucro, uma política de autosustentação ecológica que trate o patrimônio ambiental como recurso indispensável à vida e não matéria prima para o lucro privado das corporações capitalistas.

12. Por tudo isso, a luta das etnias Macuxi, Tauarepang, Patamona, Ingarikó e Wapixana é a nossa luta e de todos aqueles que lutam contra o capital e por uma sociedade socialista.

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO - PCB
JUNHO DE 2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

Homenageado da semana: DAVID MENDONÇA

David Mendonça foi, inquestionavelmente, um dos maiores organizadores do movimento popular de Alagoas da década de 40. Destacou-se na organização do movimento camponês em penedo, sua cidade de origem. De tal modo cresçeu a combatividade dos camponeses ribeirinhos, que David passou a ser ameaçado de morte pelos latinfundiários locais.

Teve de mudar-se para Maceió em defesa da própria existência física ameaçada pelos latinfundiários penedenses. Em Maceió, passou a organizar o movimento de massas na capital. Era de tal forma especialista em lidar com moradores simples dos bairros, que até clubes carnavalescos organizava, dirigindo as brincadeiras de Momo nessa época. Residia na Av. Maceió, ali logo após a ponte (á época uma ponte Férrea construída pela companhia Férrea inglesa.). A terceira casa à esquerda do sentido Poço - Centro.

Após o fechamento do PCB e a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas: André Papini Goiás, Moacir Andrade e José Maria Cavalcante, desencadeou-se uma feroz repressão ao movimento comunista em Alagoas, ocasionando deserções, principalmente de intelectuais que se filiaram ao partido na onda da legalidade e saída dos princípais dirigentes que se homiziaram em outros locais, via de regra ilegalmente como foi o caso de Júlio Braga que se embrenhou no sertão pernambucano.

Certo dia, a polícia cerca pela frente e pelos fundos a residência de David Mendonça para prende-lo, ele tinha problemas cardiácos sério, como resultado sofreu um colapso fulminante e morreu em casa, virtualmente assassinado pela repressão alagoana.

Tinha mulher e uma filha, que após a morte do componente comunista, passaram uns dias em minha residência na rua do queimado. Dias após, seguiram para São Paulo, de onde nunca mais se soube notícias...

Glória eterna a memória desse combativo militante comunista, exemplo de coragem, dignidade, ética e capacidade de luta. Dedicou toda sua vida à militância partidária.


(Texto escrito por Laudo Braga)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Comandante Manuel Marulanda Vélez: Juramos Vencer!



Quando há 60 anos a oligarquia desencadeou a guerra fratricida em nosso país através do terrorismo oficial e dos ódios partidários, procurando mudanças na posse da terra e na recomposição do poder político, subestimou a enorme capacidade de resistência de nosso povo e as colossais dimensões de sua dignidade.

Da mesma forma que centenas de milhares de camponeses, Pedro Antonio Marin foi perseguido desde então pelo governo e os pistoleiros paramilitares da época, obrigado a abandonar seu sossego, trabalho e pertences e, em seguida, a se defender para sobreviver à barbárie oficial em infeliz episódio de nossa história nacional que custou a vida de cerca de 300 mil compatriotas e propiciou o despojo impune de milhões de hectares de terras férteis que passaram para as mãos de poderosos chefes liberais e conservadores de todo o país.

Desde então, graças à sua liderança e enormes capacidades político-militares, aquele que em seguida se chamaria Manuel Marulanda Vélez em homenagem a um líder sindical assassinado, foi assimilando sua experiência militar e desenvolvendo uma visão do mundo revolucionária e comunista que lhe permitiu compreender cabalmente as profundas causas econômicas, sociais e políticas, não só de sua própria situação pessoal, mas também dos profundos desequilíbrios, violências e injustiças de nossa sociedade.

Quando em 1964 a oligarquia lança no sul do estado do Tolima uma nova e criminosa ofensiva militar contra o campesinato, denominada de Plan Laso (Latin American Security Operation), sob a aberta direção do Pentágono norte-americano, Manuel Marulanda Vélez junto com 47 camponeses, em seguida a inumeráveis gestões políticas pela paz que não foram atendidas, levanta-se em armas para enfrentar a agressão e ir ao fundo da solução: lutar pelo poder político e sentar as bases de uma sociedade com justiça social em marcha para o socialismo.

Se Washington e a oligarquia não permitem a luta revolucionária pelas vias democráticas, então optamos por essa única opção possível e nascem as FARC!

Inigualável estrategista, condutor genial, guerreiro invencível, líder invicto de mil batalhas políticas e militares travadas durante 60 anos de luta reivindicando os direitos dos pobres e enfrentando as violências dos poderosos, revolucionário integral que assimilou a teoria dos grandes pensadores, fundindo-a com as verdades que extraiu da vida em sua prática diária, forjando-se como um dos mais destacados dirigentes revolucionários de todos os tempos.

A humanidade não tem antecedentes de um líder das condições de Manuel Marulanda Vélez que haja lutado ininterruptamente durante 60 anos, a partir da oposição armada, e saído ileso e fortalecido depois de imensos operativos militares de arrasamento como o Plan Laso em Marquetalia, a Operação Sonora na cordilheira Central, a operação Casa Verde, operação Destructor I e Destructor II, Plano Patriota, Plano Colômbia.
E ileso e fortalecido também, depois de confrontações políticas de caráter estratégico como as desenvolvidas nos processos de conversações com o Estado colombiano em Casa Verde , Caracas, México e em Yarí que pretenderam submeter a vontade política e de luta das FARC sem nenhuma mudança nas estruturas da sociedade nem nas correlações do poder político.
Em umas e outras confrontações, nosso comandante evidenciou sua sabedoria e sua capacidade para sair sempre airoso por mais adversas e difíceis que fossem as tormentas e os perigos e nos apontou a rumo a seguir.

Com imenso pensar informamos que nosso comandante-em-chefe Manuel Marulanda Vélez morreu no dia 26 de março passado, como conseqüência de um infarto cardíaco, nos braços de sua companheira e rodeado de sua guarda pessoal e de todas as unidades que formam sua segurança, em seguida a uma breve enfermidade.
Prestamo-lhe as honras que merece um condutor de sua dimensão e demo-lhe honrosa sepultura. Despedimo-lo fisicamente em nome dos milhares e milhares de guerrilheiros farianos e milicianos bolivarianos e dos milhões de colombianos e cidadãos do mundo que o estimam, admiram e amam acima da asquerosa campanha midiática contra as FARC.

A todos eles e seus familiares fazemos chegar nossa solidariedade e nossa voz de condolência.

Partiu o grande líder e de seus inesgotáveis ensinamentos que nos amadureceram em todos estes anos a seu lado, hoje, em meio à nossa dor, queremos ressaltar, por sua vigência e grande valor, sua profunda confiança em nossos princípios revolucionários, planos, propostas e na vitória da causa popular; a têmpera para enfrentar as dificuldades e a essencial importância que significa a sólida unidade interna que nos permitiu desenvolver-nos com vigor em todos os momentos de nossa existência.

Em meio à maior ofensiva reacionária contra organização revolucionária alguma na história da América Latina, continuaremos nossas tarefas acorde com os planos aprovados, solidamente unidos e profundamente otimistas em sair avante apesar da adversidade.

Com as bandeiras de Bolívar, de Jacobo Arenas e de Manuel Marulanda muito altas, prosseguiremos sem descanso nossa luta até conseguir o objetivo da nova Colômbia, da Pátria Grande Latino-americana e do Socialismo. Juramos perante a tumba do nosso comandante!

A confrontação não dá trégua e a luta prossegue. Acordamos unanimemente que à cabeça do secretariado e como novo comandante do Estado Maior Central esteja o camarada Alfonso Cano. Como integrante pleno do secretariado ingresse o camarada Pablo Catatumbo e suplentes os camaradas Bertulfo Alvarez e Pastor Alape.
Continuaremos alentando a luta popular, a formação do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia e do Partido Comunista Clandestino, assim como a convergência com todos aqueles que lutem pela justiça social, a soberania nacional e a democracia verdadeira.
Toda a força fariana continuará profundamente comprometida em cada área e em todo o país para levar adiante os planos, estreitamente vinculada à população civil como garantia do êxito.

Nossas propostas em torno dos acordos humanitários e das saídas políticas continuam vigentes tal qual reiteramos em múltiplas ocasiões, assim como aquelas expostas tanto no Manifesto como na Plataforma Bolivariana, lançadas a partir destas cordilheiras, serão confluência e gerarão esforço mancomunado para conseguir a paz democrática e o sossego que nos roubou a oligarquia faz 60 anos.
Ao comemorar o 44° aniversário das FARC, prestamos sentida homenagem ao nosso comandante Manuel Marulanda Vélez, a Jacobo Arenas, a Raúl Reyes, a Ivan Rios, a Efraín Guzmán e a todos aqueles que generosamente dedicaram e ofereceram sua vida à causa dos pobres, sem pedir nada em troca, tão somente por sua íntima convicção de buscar o bem comum como característica de seu compromisso revolucionário.

Comandante Manuel Marulanda Vélez: Morrer pelo povo é viver para sempre!Diante do altar da Pátria: Juramos vencer!
Secretariado do Estado Maior Central

FARC-EP, maio de 2008
Montanhas da Colômbia.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Para transformar sonhos em realidade


Por Sérgio Campos


As eleições para prefeito, vice-prefeito e vereador se aproximam, e as convenções para escolha dos candidatos e deliberações sobre as coligações partidárias acontecerão no próximo mês de junho. Porém, diferentemente daquilo que costuma ocorrer em nosso estado desde tempos remotos, quando as oligarquias políticas locais impõem candidaturas alheias aos interesses da população, desta vez tudo indica que vivenciaremos um processo eleitoral "atípico".

Os quadros dirigentes e a militância política do Partido Comunista Brasileiro (PCB), núcleo Santana do Ipanema, liderados pelo presidente do diretório municipal, o professor Paulo Roberto Chagas, decidiram consultar a população sobre a viabilidade de se lançar candidatura própria a prefeito e vice-prefeito, além de oferecer opções de candidaturas à Câmara de Vereadores.

Desde o início do ano, empreendemos uma série de visitas aos povoados, sítios e fazendas da região. Subimos e descemos serras, enfrentamos estradas em péssimo estado de conservação, em dias chuvosos ou de sol causticante. O resultado foi compensador, pois invariavelmente fomos recebidos de maneira calorosa por centenas de sitiantes. As mais das vezes fomos recepcionados com mesa farta e alegria contagiante. Tivemos também o enorme prazer de sermos recebidos por outras centenas de famílias da zona urbana e experimentamos momentos igualmente marcantes.


As famílias visitadas surpreenderam-se com a nossa iniciativa. Em algumas dessas reuniões, pudemos ouvir as pessoas declararem que aquela maneira de escolher uma candidatura é bem diferente do que sempre aconteceu aqui em nossa terra, ou seja, as imposições de que já falamos. Fizemos consultas sobre carências das comunidades visitadas, pedimos sugestões e, baseados nas análises, opiniões e críticas dos munícipes, identificamos necessidades e aspirações do povo santanense.

Os diálogos com as famílias se desenvolveram discorrendo sobre temas de interesse coletivo. Tratamos de questões relacionadas ao trabalho, saúde, educação, agricultura e lazer. Abordamos ainda questões inerentes à infância e à adolescência, assim como debatemos em relação aos idosos, suas experiências e importância para a comunidade. Também analisamos o comportamento do eleitor e o voto consciente.

Finalmente, o grupo expunha o nome Sérgio Campos como possível candidato ao cargo de prefeito de Santana do Ipanema e solicitava opinião das pessoas, que, em geral, aprovavam a indicação. Casos existiram em que os consultados declararam que, há muito tempo, especulavam sobre essa possibilidade. Tal fato ocorria em função de minha experiência como militante político que atuou em diversas campanhas eleitorais, sempre com a esperança de que pudéssemos eleger alguém que atendesse aos anseios do povo santanense.

Devido a essa militância, tive a oportunidade de colaborar para a eleição do prefeito Marcos Davi, o que resultou na minha nomeação para o cargo de Chefe de Gabinete desta administração.

Por tudo isso, o PCB decidiu lançar o meu nome como pré-candidato a prefeito de Santana do Ipanema, uma cidade que registra gloriosa história de luta por conquistas sociais e pelas liberdades democráticas, como, por exemplo, o caso dos nativos Fulni-ô e dos negros que se organizaram em comunidades quilombolas para enfrentar o poder escravocrata do coronelismo que predominava na região.

Após a convenção do partido, em se confirmando o meu nome como candidato a prefeito de Santana do Ipanema, aguardamos que esta candidatura venha a atender aos anseios da população santanense, de forma que possamos transformar sonhos em realidade.


P.S.: A convenção do PCB acontecerá no dia 21 de junho, em local a ser confirmado. Desde já contamos com a sua presença

''Alimento para alma'' (Projeto Farol de Alexandria)


O Projeto Farol de Alexandria, inicia o calendário de 2008 com um acervo de cerca de 2000 (dois mil), livros recebidos por meio de doações feitas pela população que se engajou na dinâmica desenvolvida por nossa juventude, na busca da formação de bibliotecas populares nos bairros atingidos pela violência e o descaso político.

Apesar, do pouco contingente de nossa militância, ficou-se verificado que mesmo assim, a causa é valida, e ultrapassa as barreiras da dificuldade, vindo a mostrar qual é seu real papel dentro dessa sociedade atingida pelo conformismo das massas, e a corrupção da compra e venda de votos.

Sabemos o quão, é difícil trabalhar a consciência de centenas de jovens, escravizados nas drogas e seu mundo de ilusões. A luta continua, e este ano promete nossa primeira biblioteca popular, que será no bairro operário de Fernão Velho, com o apoio do Movimento Político Comunitário (MPC) que está sedendo suas instalações para o Projeto, fato que nos dá ainda mais animo para prosseguirmos com nosso objetivo.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Famílias soterradas, o estado burguês e suas falácias...


Mais uma vez, o descaso do estado em relação as famílias da periferia, ficam as claras. Na manhã desta quinta-feira, 23, no Loteamento Jardins, zona urbana de Colônia Leopoldina, cidade a 112 quilômetros de Maceió, O jovem Oscley Santana, de apenas 14 anos, morreu soterrado num desmoronamento ocorrido na região devido as fortes chuvas que vêm castigando os bairros de periferia onde reside a classe desprivilegiada na podre hierarquia social na qual vivemos. Além de Oscley, mais duas pessoas ficaram feridas após o desmoronamento e foram levadas em estado grave à Unidade de Emergência Armando Lages, em Maceió.

Casos semelhantes são comuns em períodos de chuvas fortes, e deslizamentos inevitáveis como este último, já são esperados pelos moradores que residem em áreas de risco, portanto, essas famílias não podem abandonar estas áreas pelo simples fato de não terem mais para onde ir ou a quem recorrer e se deixarem suas "casas" (Barracos), ficaram ao relento de uma vez por todas. Só neste ano de 2008, estima-se que as chuvas e a indiferença do estado, já matou mais de 10 pessoas em casos de desmoronamento de barreiras em diversas localidades de Alagoas. A questão é: quantas vidas mais serão perdidas, para que o estado e a sociedade abram olhos e apresentem soluções para casos como o de Oscley e para a juventude que já nasce sem uma perspectiva de um futuro digno? (“No Future in BR?”)

O que fazer? Nós, comunistas, os seres conscientes dentro da sociedade inconsciente, sabemos que para extinguirmos esses crimes contra a vida cometidos pelo estado burguês e o modo de produção capitalista, se faz necessário a ruptura total e definitiva com os mesmos.

Afirmamos abertamente que a revolução social é nosso fim, e esta, é a única saída para os problemas sociais!


terça-feira, 20 de maio de 2008

Homenageado da semana: JÚLIO BRAGA (Histórico)

Júlio Braga nasceu na cidade de viçosa (AL) em fins do século XIX. Ainda menino, foi obrigado a trabalhar para ajudar o pai e a mãe, cujo marido havia abandonado a família desaparecendo para sempre. Júlio saia de Bebedouro e ia para o centro a pé, trabalhar como aprendiz de mecânico na oficina de Benedito Vanderley (a oficina ainda existe no bairro de Jaraguá, com mais de 70 anos de existência e sob a direção de um de seus filhos).

Já rapaz, deslocou-se para Salvador (Ba), e passou a trabalhar como motorista da residência de um ricaço salvadorenho. Era semi analfabeto, até então. Certa feita em uma reunião de motoristas numa das praças centrais de Salvador, a turma teve nescessidade de efetuar um cálculo que envolvia uma conta de multiplicação, e ninguém conseguiu efetuá-la. Júlio ficou tão envergonhado, que adquiriu uma aritimétrica de Antônio Arajano, na época melhor volume destinado ao curso básico (o outro no primário), aprendendo de forma autodidática os primeiros conhecimentos, aprofundando após para conhecimentos superiores: algébricos, cálculos de resistência de materiais e desenho industrial. Estabeleceu uma vitória própria sobre ângulos e demais aspectos de desenho linear.
Na Bahia, precisamente em Salvador, entrou para o Partido Comunista Brasileiro. Ao retornar a Maceió, participou da fundação do partido no estado, então com Benedito Gororoba e demais companheiros fundadores do Partido.

Em 1935, às vésperas do movimento armado dirigido pelos comunistas, deslocou-se, por tarefa, a pé para Salvador a fim de entregar uma mensagem secreta à direção partidária naquela capital, que não podia ser expedida por correio, telefone nem por telegrama, cifrada.

Em 1937 dirigiu, com os demais camaradas da direção partidária, a Greve Geral dos trabalhadores maceioenses, cuja concentração ocorreu na praça da Recebedoria. A polícia interviu violentamente, atirando na multidão quando uma bala perdida raspou a cabeça de Júlio e penetrou na estátua (a última da direita, frente a Igreja) cuja perfuração permaneceu por um longo período às vistas dos quantos que ali passavam.

Preso e processado, juntamente com outros dirigentes comunistas alagoanos, ficou mais de um ano na antiga cadeia de Maceió. As famílias dos presos, residiam coletivamente numa casa cujo aluguel era pago pelo Socorro Vermelho, sendo que a alimentação era recebida pela metade da boia dos presos, diariamente que cediam aos familiares dos presos políticos libertados após cumprimento integral da pena, embrenha-se na vida clandestina, disfarçado em vendedor de raízes pelo interior de Alagoas, barba crescida, tal como um autêntico andarilho.

Nesse período, foi montar uma fábrica de gelo em Pão de Açucar, onde ali se encontrava homisiado com a esposa, D. Alice Braga, com os filhos Lauter e Leda, já que eu e minha irmã mais velha, Lucy, estavamos em Maceió em casa de amigos.

Certo dia, como o filho Lauter era muitíssimo parecido com o pai, um dos agentes secreto suspeitou ele ser filho de "seu Manuel", denunciando-os as autoridades policiais. Lá vai o Júlio preso, recâmbiado para Maceió, até sua libertação.

Durante a segunda guerra, empregou-se como mecânico na base americana localizada no Tabuleiro dos Martins. Certo dia, um motorista americano bêbado, atropelou um pelotão do antigo 20° BC que fazia ordem unida na principal rua perto do Quartel, matando um Soldado e ferindo outros. O comandante do 20° BC exigiu a prisão do motorista americano. O comandante da base recusou-se a entregá-lo às autoridades brasileiras, surgiu daí uma crise: o comandante do 20° BC exigiu ameaçou marchar sobre a base. O comandante ameaçou bombardear o Quartel.

O Júlio, que formara uma base de militantes na base, reuniu na minha residência da rua do Queimado, discutindo a crise, e decidiram incêndiar o paiol de combustível, fazendo as instalações explodirem no caso da consumação das ameaças mútuas.

Foi necessária intervenção do comandante da 7a. negrão miliar, sediada no Recife, para dirigir as controvérsias.

Essa decisão dos comunistas da base, foi secreta, absolutamente secreta da qual as autoridades da base 20° jamais tomaram conhecimento...
Em 1948, por ocasião da famigerada decisão judicial que fecharia o registro legal do PCB, pegou Júlio Braga na direção partidária.

Júlio Braga faleceu com 82 anos, vítima de um aneurisma. Recusou-se a morrer deitado, tendo espirado com os braços comprimindo o tórax em função da dor que lhe perpasou o coração inundado de sangue que eclodiu nos últimos seus momentos de vida.





Texto fornecido por Laudo Braga, Filho de Júlio Braga e membro do Partido Comunista Brasileiro desde os 5 anos de idade.