sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Manifesto da União da Juventude Comunista (UJC-AL)



A união da juventude comunista (ujc), órgão oficial do partido comunista brasileiro (PCB), ao longo de seus 80 anos de experiência na luta e conscientização dos jovens operários, e da população brasileira em geral, vem a público reafirmar seu compromisso militante e de combatente de vanguarda para a construção de uma sociedade socialista no Brasil, na perspectiva rumo ao comunismo brasileiro. Nós acreditamos que o Brasil é um país com imensas possibilidades para a construção de uma sociedade humana, e próspera, democrática e soberana. Possui terra e água em abundância, sol o ano inteiro, praticamente todos os recursos naturais necessários para satisfazer as necessidades da população e uma mão-de-obra jovem, ávida por trabalho. Temos a base material para a libertação econômica e política do Brasil.



A destruição da natureza, o desemprego, a concentração de riquezas e propriedades, a mercantilização da vida, a guerra, contra os povos para viabilizar o complexo industrial militar das grandes potências, a guerra diária da miséria e da violência urbana contra o povo, a morte de imensos contigentes da população já cansadas pelas epidemias e pela fome, são as manifestações mais visíveis da lógica do capital contra a vida. A humanidade não pode assassinar seu futuro para garantir os privilégios de uma classe dominante obtusa e autoritária. O modo de produção capitalista, como forma de organização da sociedade, ameaça a vida e a continuidade da espécie humana. Hoje, capitalismo e humanidade são excludentes: para o capitalismo se manter tem que ameaçar a humanidade, para a humanidade se salvar tem que superar o capitalismo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Alagoas tem maior taxa de homicídios do Brasil



É muito comum a forma com que os brasileiro hoje já se referem ao nosso estado, sendo ele campeão em 2007 pela altíssima taxa de 742 homicídios somente neste ano, chegando ao nível de 100% na violência urbana e, freqüentemente praticadas por infratores menores de idade. São adolescentes com espírito suicida, enquanto o estado reforça na metodologia repressora de seus aparelhos policiais, a educação, saúde e outros segmentos da sociedade continuam em greve por melhores condições de trabalho e salários dignos, não é de se estranhar que agora em pleno começo de 2008 as propagandas políticas venham a aumentar pois, é ano eleitoral e o povo será ludibriado mais uma vez com a construção de rústicas casas populares.
O favelizamento também cresce. Segundo dados recentes, existem atualmente 1280 barracos na favela do "sururu do capote" comportando em torno de novecentas famílias. Muitas vivem do sustento tirado da lagoa mundaú e manguaba, ou de sub-empregos no mercado da produção, sendo que apenas 1% tem carteira assinada, e o nível de escolaridade é muito baixo, são poucos os jovens que freqüentam as salas de aula, é normal encontrar crianças cheirando cola em pleno centro da cidade ou fazendo pequenos furtos.

Este ano, os comunistas entram com um desafio em meio a estupefação do capitalismo, engrossar as fileiras da luta de classes, e confiantes em nossos propósitos na derrubada do capitalismo e de todas as suas mazelas, que transformam o homem em inimigo de sua própria espécie. E para encerrar, fiquemos com uma sábia verdade dita pelo camarada Lênin: ''nós comunistas, somos o elemento consciente dentro da sociedade inconsciente.''

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

''Jejuo também por democracia real'' D. Cappio

O bispo Luíz Flávio Cappio completou na manhã de hoje (12/12), 15 dias de jejum em sinal de protesto a transposição do rio São Francisco. Apesar da liminar concedida pela justiça federal suspendendo as obras, o bispo declarou que não irá encerrar a greve de fome iniciada dia 27/11.

"Ainda não estamos no fim. Foi um grande sinal de esperança, mas ainda não estamos no final da nossa luta (...) Fomos presenteados com a chegada da liminar, mas, evidentemente, o governo vai recorrer. Ainda mantenho o meu jejum", afirmou o bispo.


Abaixo, segue um artigo de D. Cappio para a folha de São Paulo:


LUIZ FLÁVIO CAPPIO

Acusam-me de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto autoritário e falacioso: o da transposição

ACUSAM-ME de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto do governo federal autoritário, falacioso e retrógrado, que é o da transposição de águas do rio São Francisco.

Meu gesto não é imposição voluntarista de um indivíduo. Fosse isso, não teria os apoios numerosos, diversificados e crescentes que tem tido de representantes de amplos setores da sociedade, inclusive do próprio PT. Vivêssemos uma democracia republicana, real e substantiva, não teria que fazer o que estou fazendo.

Um dos mais graves males da "democracia" no Brasil é achar que o mandato dado pelas urnas confere um poder ilimitado, aval para um total descompromisso com o discurso de campanha, senha para o vale-tudo, para mais poder e muito mais riquezas. Tráficos de influências, desvios do erário, porcentagens em obras públicas e mensalões são práticas tradicionais na política brasileira, infelizmente, pelo visto, ainda longe de acabar. A sociedade está enojada e precisa se levantar. Há políticos -e, infelizmente, não são poucos- que, por onde passaram na vida pública, deixaram um rastro de desmandos, corrupção, enriquecimento ilícito etc. Como ainda funcionam o clientelismo eleitoral, a mitificação de personagens, as falsas promessas de campanha, o "toma-lá-dá-cá" e mais deseducação que educação política do povo, esses políticos conseguem se reeleger e galgar posições de alto poder em governos, quaisquer que sejam as siglas e as alianças.

Na campanha do candidato Lula, o tema crucial da transposição era evitado o máximo possível. Mas as campanhas eleitorais, à base do marketing e das verbas de "caixa dois" das empresas, são tidas e havidas como grandes manifestações do vigor de nossa democracia, que, com urnas eletrônicas, dá exemplo até aos EUA...

O projeto de transposição não é democrático, porque não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio São Francisco.

O governo mente quando diz que vai levar água para 12 milhões de sedentos. É um projeto que pretende usar dinheiro público para favorecer empreiteiras, privatizar e concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São Francisco.

A transposição não tem nada a ver com a seca. Tanto que os canais do eixo norte, por onde correriam 71% dos volumes transpostos, passariam longe dos sertões menos chuvosos e das áreas de mais elevado risco hídrico. E 87% dessas águas seriam para atividades econômicas altamente consumidoras de água, como a fruticultura irrigada, a criação de camarão e a siderurgia, voltadas para a exportação e com seríssimos impactos ambientais e sociais.

Esses números são dos EIAs-Rima (Estudos de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente), públicos por lei, já que, na internet, o governo só colocou peças publicitárias.

O projeto de transposição é ilegal e vem sendo conduzido de forma arbitrária e autoritária: os estudos de impacto são incompletos, o processo de licenciamento ambiental foi viciado, áreas indígenas são afetadas e o Congresso Nacional não foi consultado como prevê a Constituição. Há 14 ações que comprovam ilegalidades e irregularidades ainda não julgadas pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o governo colocou o Exército para as obras iniciais, abusando do papel das Forças Armadas, militarizando a região. A decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, de Brasília, em 10/12 deste ano, obrigando a suspensão das obras, é mais uma evidência disso.

O mais revoltante, porque chega a ser cruel, é que o governo insiste em chantagear a opinião pública, em especial a dos Estados pretensos beneficiários, com promessas de água farta e fácil, escondendo quem são os verdadeiros destinatários, os detalhes do funcionamento, os custos e os mecanismos de cobrança pelos quais os pequenos usos subsidiariam os grandes, como já acontece com a energia elétrica. Os destinos da transposição os EIAs/Rima esclarecem: 70% para irrigação, 26% para uso industrial, 4% para população difusa.

Temos um projeto muito maior. Queremos água para 44 milhões de pessoas no semi-árido. Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço previsto no PAC para a transposição.

O Atlas Nordeste da ANA (Agência Nacional de Águas) e as iniciativas da ASA (Articulação do Semi-Árido) são muito mais abrangentes, têm prioridade no abastecimento humano e utilizam as águas abundantes e suficientes do semi-árido. Fui chamado de fundamentalista e inimigo da democracia porque provoquei que o povo se levantasse e, disso, os "democratas" que me acusam têm medo. Por que não se assume a verdade sobre o projeto e se discute qual a melhor obra, qual o caminho do verdadeiro desenvolvimento do semi-árido? É nisso que consiste a nossa luta e a verdadeira democracia.

--------------------------------------------------------------------------------DOM FREI LUIZ FLÁVIO CAPPIO, 61, é bispo diocesano da cidade de Barra (BA) e autor do livro "Rio São Francisco, uma Caminhada entre Vida e Morte".

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

UFAL pública e gratuita? que nada!!!

Carta feita por um estudante do cursinho promovido pelo proex/ufal, informando seu desapontamento e impotência de nossa constituição federal em relação aqueles que mandam e desmandam, chegando muitas vezes a interferir na existência e formação profisional de muitos jovens carentes que vivem nas periferias de nosso país.



Exm°.procuradora regional dos direitos do cidadão

Dr° Niedja Gorete de Almeida Rocha Kaspary

Eu, Gilnes lima da silva, estudante do cursinho promovido pelo proex/ufal, venho respeitosamente declarar a vossa senhoria, que mesmo com todos os esforços movidos pelos estudantes carentes do dito cursinho preparatório, este ano mais uma vez não poderei prestar vestibular, tendo em vista o mesmo motivo pelo qual outros companheiros também não irão.

Os 50% acatados pela pró-reitoria de extenção, afasta-se muito de minha realidade financeira, bem como, não é justo que um pró reitor, que tendo um salário superior a mais de 15 (quinze) salários mínimos (no exercício de seu trabalho), venha a se colocar diante de minha pessoa, se referindo que : “nada gratuito tem valor” e que “não tem culpa por eu ter nascido pobre”. E ainda por cima eu ter que tolerar suas ridículas ameaças de morte (se eu teria seguro de vida?).

São situações como estas, que propositalmente excluem centenas de jovens que assim como eu, não dispõem de recursos para ingressar numa universidade pública, gratuita e de qualidade, mesmo que nossa constituição federal se faça valer em poucos casos.

Deixo aqui meu sincero respeito.

Maceió 21 de outubro de 2007

Gilnes lima da silva

Estudante proex/ufal

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

UJC - 80 anos!

A ujc (união da juventude comunista/orgão oficial do partido comunista brasileiro) é
uma organização de vanguarda da classe trabalhadora, que se baseando no princípio marxista-leninista e dentro da realidade conjuntural de nosso país, tem como finalidade, trabalhar a consciência das massas desprovidas de suas nescessidades básicas e sem consciência de classe, tendo em vista, o fato que grande parte dos jovens brasileiros não dispõem de educação, saúde, lazer, dignas condições de trabalho, etc. Em fim, que futuro esperar para nossos jovens diante desse sistema que divide os homens???

Nossa proposta de futuro é a emancipação do povo, que se dará por meio da revolução socialista acabando com a exploração do homem pelo homem. Fundada em 1º de agosto de 1927, a ujc vive e luta: pelo livre acesso a universidade (fim do vestibular), pelo passe livre estudantil e muitas outras garantias que este governo neo-liberal de lula e seu partido dos traidores, incluindo sua central única dos traidores (cut) nos rouba!

Ingresse na ujc!

"As tantas rosas que os poderosos matem, jamais conseguiram deter a primavera"...





quarta-feira, 10 de outubro de 2007

TROPA DE ELITE: A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA!


(Ivan Pinheiro)

"Homem de preto.
Qual é sua missão?
É invadir favela
E deixar corpo no chão"
(refrão do BOPE)

Não vá cair no papo furado de que "Tropa de Elite" é "arte pura" ou "obra aberta". Um filme sobre questões sociais não podia ser neutro. Trata-se de uma obra de arte objetivamente ideológica, de caráter fascista, que serve à criminalização e ao extermínio da pobreza. É possível até que os diretores subjetivamente não quisessem este resultado, mas apenas ganhar dinheiro, prestígio e, quem sabe, um Oscar. Vão jurar o resto da vida que não são de direita. Aliás, você conhece alguém no Brasil, ainda mais na área cultural, que se diga de direita?

Como acredito mais em conspirações do que no acaso, não descarto a hipótese de o filme ter sido encomendado por setores conservadores. Estou curioso para saber quais foram os mecenas desta caríssima produção, que certamente foi financiada por incentivos fiscais.

O filme tem objetivos diferentes, para públicos diferentes. Para os proletários das comunidades carentes, o objetivo é botar mais medo ainda na "caveira" (o BOPE, os "homens de preto"). O vazamento escancarado das cópias piratas talvez seja, além de uma estratégia de marketing, parte de uma campanha ideológica. A pirataria é a única maneira de o filme ser visto pelos que não podem pagar os caros ingressos dos cinemas. Aliás, que cinemas? Não existe mais um cinema nos subúrbios, a não ser em shopping, que não é lugar de pobre freqüentar, até porque se sente excluído e discriminado.

No filme, os "caveiras" são invencíveis e imortais. O único que morre é porque "deu mole". Cometeu o erro de ir ao morro à paisana, para levar óculos para um menino pobre, em nome de um colega de tropa que estava identificado na área como policial. Resumo: foi fazer uma boa ação e acabou assassinado pelos bandidos.

Para as classes médias e altas, o objetivo do filme é conquistar mais simpatia para o BOPE, na luta dos "de cima", que moram embaixo, contra os "de baixo", que moram em cima.

Os "homens de preto" são glamourizados, como abnegados e incorruptíveis. Apesar de bem intencionados e preocupados socialmente, são obrigados a torturar e assassinar a sangue frio, em "nosso nome". Para servir à "nossa sociedade", sacrificam a família, a saúde e os estudos. Nós lhes devemos tudo isso! Portanto, precisam ser impunes. Você já viu algum "caveira" ser processado e julgado por tortura ou assassinato? "Caveira" não tem nome, a não ser no filme. A "Caveira" é uma instituição, impessoal, quase secreta.

Há várias cenas para justificar a tortura como "um mal necessário". Em ambas, o resultado é positivo para os torturadores, ou seja, os torturados não resistem e "cagüetam" os procurados, que são pegos e mortos, com requintes de crueldade. Fica outra mensagem: sem aquelas torturas, o resultado era impossível.

Tudo é feito para nos sentirmos numa verdadeira guerra, do bem contra o mal. É impossível não nos remetermos ao Iraque ou à Palestina: na guerra, quase tudo é permitido. À certa altura, afirma o narrador, orgulhoso : "nem no exército de Israel há soldados iguais aos do BOPE".

Para quem mora no Rio, é ridículo levar a sério as cenas em que os "rangers" sobem os morros, saindo do nada, se esgueirando pelas encostas e ruelas, sem que sejam percebidos pelos olheiros e fogueteiros das gangues do varejo de drogas! Esta manipulação cumpre o papel de torná-los ainda mais invencíveis e, ao mesmo tempo, de esconder o estigmatizado "Caveirão", dentro do qual, na vida real, eles sobem o morro, blindados. O "Caveirão", a maior marca do BOPE, não aparece no filme: os heróis não podem parecer covardes!

O filme procura desqualificar a polêmica ideológica com a esquerda, que responsabiliza as injustiças sociais como causa principal da violência e marginalidade. Para ridicularizar a defesa dos direitos humanos e escamotear a denúncia do capitalismo, os antagonistas da truculência policial são estudantes da PUC, "despojados de boutique", que se dão a alguns luxos, por não terem ainda chegado à maioridade burguesa.

Os protestos contra a violência retratados no filme são performances no estilo "viva rico", em que a burguesia e a pequena-burguesia vão para a orla pedir paz, como se fosse possível acabar com a violência com velas e roupas brancas, ou seja, como se tratasse de um problema moral ou cultural e não social.

A burguesia passa incólume pelo filme, a não ser pela caricatura de seus filhos que, na Faculdade, fumam um baseado e discutem Foucault. Um personagem chamado "Baiano" (sutil preconceito) é a personificação do tráfico de drogas e de armas, como se não passasse de um desses meninos pobres, apenas mais espertos que os outros, que se fazem "Chefe do Morro" e que não chegam aos trinta anos de idade, simples varejistas de drogas e armas, produtos dos mais rentáveis do capitalismo contemporâneo. Nenhuma menção a como as drogas e armas chegam às comunidades, distribuídas pelos grandes traficantes capitalistas, sempre impunes, longe das balas achadas e perdidas. E ainda responsabilizam os consumidores pela existência do tráfico de drogas, como se o sistema não tivesse nada a ver com isso!

O Estado burguês também passa incólume pelo filme. Nenhuma alusão à ausência do Estado nas comunidades carentes, principal causa do domínio do banditismo. Nenhuma denúncia de que lá falta tudo que sobra nos bairros ricos. No filme, corrupção é um soldado da PM tomar um chope de graça, para dar segurança a um bar. Aliás, o filme arrasa impiedosamente os policiais "não caveiras", generalizando-os como corruptos e covardes, principalmente os que ficam multando nossos carros e tolhendo nossas pequenas transgressões, ao invés de subirem o morro para matar bandido.

A grande sacada do filme é que o personagem ideológico principal não é o artista principal. Este, branco, é o que mais mata. Ironicamente, chama-se Nascimento. É um tipo patológico, messiânico, sanguinário, que manda um colega matar enquanto fala ao celular com a mulher sobre o nascimento do filho.

Mas para fazer a cabeça de todos os públicos, tanto os "de cima" como os "de baixo", o grande e verdadeiro herói da trama surge no final: Thiago, um jovem negro, pacato, criado numa comunidade pobre, que foi trabalhar na PM para custear seus estudos de Direito, louco para largar aquela vida e ser advogado. Como PM, foi um peixe fora d'água: incorruptível, respeitava as leis e os cidadãos. Generoso, foi ele quem comprou os óculos para dar para o menino míope. Sua entrada no BOPE não foi por vocação, mas por acaso.

Para ficar claro que não há solução fora da repressão e do extermínio e que não adianta criticar nem fazer passeata, pois "guerra é guerra", nosso novo herói se transforma no mais cruel dos "caveiras" da tropa da elite, a ponto de dar o tiro de misericórdia no varejista "Baiano", depois que este foi torturado, dominado e imobilizado. Para não parecer uma guerra de brancos ricos contra negros pobres, mas do bem contra o mal, o nosso herói é um "caveira" negro, que mata um bandido "baiano", de sua própria classe, num ritual macabro para sinalizar uma possibilidade de "mobilidade social", para usar uma expressão cretina dos entusiastas das "políticas compensatórias".

A fascistização é um fenômeno que vem sendo impulsionado pelo imperialismo em escala mundial. A pretexto da luta contra o terrorismo, criminalizam-se governos, líderes, povos, países, religiões, raças, culturas, ideologias, camadas sociais.

Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda.

No Brasil, a mídia burguesa há muito tempo trabalha a idéia de que estamos numa verdadeira guerra, fazendo sutilmente a apologia da repressão. Sentimos isso de perto. Quantas vezes já vimos pessoas nas ruas querendo linchar um ladrão amador, pego roubando alguma coisa de alguém? Quantas vezes ouvimos, até de trabalhadores, que "bandido tem que morrer"?

Se não reagirmos, daqui a pouco a classe média vai para as ruas pedir mais BOPE e menos direitos humanos e, de novo, fazer o jogo da burguesia, que quer exterminar os pobres, que só criam problemas e ainda por cima não contam na sociedade de consumo. Daqui a pouco, as milícias particulares vão se espalhar pelo país, inspiradas nos heróicos "homens de preto", num perigoso processo de privatização da segurança pública e da justiça. Não nos esqueçamos do modelo da "matriz": hoje, os mais sanguinários soldados americanos no Iraque são mercenários recrutados por empresas particulares de segurança, não sujeitos a regulamentos e códigos militares.

Parafraseando Bertolt Brecht, depois vai sobrar para nós, que teimamos em lutar contra o fascismo e a barbárie, sonhando com um mundo justo e fraterno.

A trilha sonora do filme já avisou:

"Tropa de Elite,
Osso duro de roer,
Pega um, pega geral.
Também vai pegar você!"



(Ivan Pinheiro)

sábado, 6 de outubro de 2007

Boicote a reacionária revista VEJA!




Veja: que mentira!

Aproximando-se o dia 08 de outubro, dia esse em que são feitas homenagens em memória de Che Guevara, a revista de caráter burguês VEJA, ''mira guevara e dá tiro no pé''.

A veja acaba de lançar uma matéria de capa, denegrindo a imagem do camarada Guevara com afirmações mentirosas e sensacionalistas, objetivando com isso, distorcer a imagem de um homem que foi morto por cometer um único crime: lutar por um mundo melhor.


CHE GUEVARA VIVE!


Ernesto Guevara de la serna nasceu em 14 de junho de 1928 na cidade de rosário. Sua mãe foi a principal responsável por sua formação porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda e sempre estava cercada por mulheres politizadas. Em sua casa havia uma biblioteca com cerca de 3.000 livros, o facilitou seu contato com obras marxistas.

Em 1952, realiza uma longa jornada pela América do Sul com o melhor amigo, Alberto Granado, percorrendo 10.000 km em uma moto Norton 500, apelidada de 'La Poderosa'. Os oito meses dessa viagem marcaram profundade a vida de Che, que ficou chocado com a pobresa que assolava a América-Latina.

Já envolvido com a política, em 1953 viajou para a Bolívia e depois seguiu para Guatemala com seu novo amigo Ricardo Rojo. Foi lá que Guevara conheceu sua futura esposa, a peruana Hilda Gadea Acosta e Ñico Lopez, que, futuramente, o apresentaria a Raúl Castro no México.

Na Guatemala, Arbenz Guzmán, o presidente esquerdista moderado, comandava uma ousada reforma agrária. Porém, os EUA, descontentes com tal ato que tiraria terras improdutivas de suas empresas concedendo-as aos famintos camponeses, planejou um golpe bem sucedido colocando no governo uma ditadura militar manipulada pelos yankees. Che ficou inconformado com a facilidade norte-americana de dominar o país e com a apatia dos guatemaltecos. A partir desse momento, se convenceu da necessidade de tomar a iniciativa contra o cruel imperialismo.

Com o clima tenso na Guatemala e perseguido pela ditadura, Che foi para o México. Alguns relatos dizem que corria risco de vida no território guatemalteco, mas essa ida ao México já estava planejada. Lá lecionava em uma universidade e trabalhava no Hospital Geral da Cidade do México, onde reencontrou Ñico Lopez, que o levou para conhecer Raúl Castro. Raúl, que se encontrava refugiado no México após a fracassada revolução em Cuba em 1953, se tornou rapidamente amigo de Che. Depois, Raúl apresentou Che a seu irmão mais velho Fidel que, do mesmo modo, tornou-se amigo instantaneamente. Tiveram a famosa conversa de uma noite inteira onde debateram sobre política mundial e, ao final, estava acertada a participação de Che no grupo revolucionário que tentaria tomar o poder em Cuba.

A partir desse momento começaram a treinar táticas de guerrilha e operações de fuga e ataque. Em 25 de novembro de 1956 os revolucionários desembarcam em Cuba e se refugiam na Sierra Maestra, de onde comandam o exército rebelde na bem-sucedida guerrilha que derrubou o governo de Fulgêncio Batista. Depois da vitória, em 1959, Che torna-se cidadão cubano e vira o segundo homem mais poderoso de Cuba. Marxista-leninista convicto, é apontado por especialistas como o responsável pela adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo confronto do novo governo com os Estados Unidos.

Guevara queria levar o comunismo a toda a América Latina e acreditava apaixonadamente na necessidade do apoio cubano aos movimentos guerrilheiros da região e também da África. Da revolução em Cuba até sua morte, amargou três mal-sucedidas expedições guerrilheiras. A primeira na Argentina, em 1964, quando seu grupo foi descoberto e a maioria morta ou capturada. A segunda, um ano depois de fugir da Argentina, no antigo Congo Belga, mais tarde Zaire e atualmente República Democrática do Congo. E por fim na Bolívia, onde acabaria executado.

Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967. Passou a noite numa escola de La Higuera, a 50 quilômetros de Vallegrande, e, no dia seguinte, por ordem do presidente da Bolívia, general René Barrientos, foi executado com nove tiros numa escola na aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, no dia seguinte à sua captura pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.


Ver: http://www.cheguevaradelaserna.hpgvip.ig.com.br/

Esta foi uma breve homenagem da UJC e uma tentativa de desmascarar a revista VEJA.