segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Recuperando o que é Desperdiçado



Conhecido como mergulho em lixeiras, pesca de lixo, colheita urbana, ou simplesmente catar lixo, os praticantes da arte de recuperar recursos utilizáveis do desperdício de uma sociedade hiperconsumista conseguem diminuir dramaticamente ou até mesmo eliminar suas necessidades de comprar mercadorias. Entre encontrar poltronas na calçada, recuperando comida limpa e fresca do descarte de lojas, construindo livrarias de livros descartados, abastecendo cozinhas com utensílios, pratos e talheres, montando vestuários de roupas descartadas, ou recuperando equipamentos de computadores, os coletores acabam descobrindo que eles raramente precisam utilizar dinheiro para conseguir os itens de que eles necessitam.
Eles também reduzem seus desperdícios, limitando seus impactos ambientais pessoais, reduzindo suas cumplicidades econômicas com as empresas multinacionais que são socialmente e ecologicamente destrutivas e que criam a maior parte dos produtos, aliviam-se da pressão de ter que trabalhar em dois ou até três empregos para apenas suprirem suas necessidades básicas, e limitam contribuir um governo corrupto ao limitarem suas contribuições em vendas e impostos de renda. Em áreas rurais, coletores colhem frutas e vegetais que ficam para trás em razão de práticas agrícolas industriais ineficientes.
A colheita urbana não é um estilo de vida puritano, individualista e moralmente superior—é um componente chave na renovação do sentido de comunidade em torno do princípio de apoio mútuo. Muitos coletores urbanos recuperam produtos em grupos. Alguns utilizam o comida recuperada em refeições públicas, algumas vezes em espaços de convivência comunitária. Os coletores frequentemente indicam uns aos outros bons locais para recuperar produtos.

A página de internet http://freegan.info oferece uma lista online de lugares favoritos dos coletores em áreas diferentes e guias similares são impressos e distribuídos. Os criadores do site Freegan.info fazem turnês onde grupos são introduzidos a locais confiáveis para coletar lixo. Os criadores da lista e os organizadores das turnês esperam que seus leitores e participantes irão então se inspirar em procurar outros lugares promissores por conta própria, os quais poderão ser adicionados para turnês e listas futuras.
Texto extraído do Livro Revoluções Cotidianas: Práticas e Instruções para Viver Além do Capitalismo na Vida Cotidiana (Adam Weissman)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mst reivindica punição para assassinos de trabalhadores do campo!





Aproximadamente 1500 trabalhadores rurais - ligados ao Movimento Sem Terra (MST) estão acampados, desde as primeiras horas desta quinta-feira, 27, na Praça Sinimbu, em Maceió. Além desta justa ocupação pacífica, está agenda, de acordo com os coordenadores do movimento, uma série de mobilizações contra a violência e a impunidade da infinidade de crimes do latifúndio contra integrantes do movimento.


Dos militantes assassinados na luta pela reforma agrária no Estado de Alagoas, e que estão sendo lembradas nesta ocasião, o Movimento destaca os guerreiros Jaelson Melquíades, ex-dirigente do MST, na região de Atalaia, assassinado há quase três anos, Luciano Alves, José Elenilson e Chico do Sindicato, cujos assassinos nunca foram condenados, nítido reflexo do desmando e do coronelismo que ainda imperam em nosso Estado.


No sábado, dia 29, haverá mobilização no município de Atalaia, com a realização de uma missa em memória aos que morreram no combate por justiça, paz, pão e TERRA.


Toda solidariedade da União da Juventude Comunista a mais essa luta!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Poesia da semana

Aborto

Lindo grão de vida
Repelido numa descarga
Chove no deserto da alma
Das que fazem o ventre de túmulo

Choros perturbam teu sono
Matar o que não se pode criar
Despedidas com direito a álcool e fumo
E a criança ainda assim chora

Roupinhas e lenços te fazem pensar
Mais a profissão te obriga a tirar
No fundo uma voz inocente que fala:
Mamãe deixe-me viver!

Autor: Gilnes Lima

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PARTIDO COMUNISTA DOS EUA SE FORTALE!




Diante da crise que assola o capitalismo, os membros do Partido Comunista americano (CPUSA) registam uma procura crescente pelas teses Marxistas/Leninistas. Uma reportagem da Agência France Press conferiu a movimentação junto ao número 235w da rua 23 no bairro de Chelsea em Nova York , é lá que fica a sede dos comunistas dos Estados Unidos.Longe de querer "brincar sózinhos" os comunistas americanos querem construir a base mais ampla possível, com os movimentos de mulheres, estudantes, sindicatos, para derrotar a direita. " Acreditamos que o momento chegou" declara Libero Della Piana, presidente do Partido em Nova York. A crise mostrou-nos que o mercado não se regula sozinho e ao deixar que isso acontecesse, o governo enlouqueceu a máquina de dar créditos baseados numa fantasia.
Postado por Cidadão do Mundo no blog: Equador do Norte

poesia da semana

Ser comunista

É uma flor
De pureza e incêndio
Que jamais fecha os olhos
Para as injustiças do mundo

O arquiteto
Da nova sociedade
Do amor e do respeito mútuo
Sempre em luta constante

Um pássaro livre
De toda alienação capital
Elemento consciente de sua classe
Agente transformador da humanidade

autor:Gilnes Lima

sábado, 15 de novembro de 2008

PM ameaça trabalhadores e interfere em direito de greve





Os mais de quatro mil trabalhadores e trabalhadoras da Johnson foram alvo da selvageria da Polícia Militar na madrugada desta terça-feira 11 de novembro, às 6h. Os funcionários da empresa estão em greve desde a última quinta-feira por aumento salarial, contra a demissão ilegal de três dirigentes sindicais e o pela revisão do plano de cargos e salários, que rebaixa o piso salarial da categoria em 40%. Ontem, a empresa tentou uma liminar para interferir na greve, mas a Justiça do Trabalho negou. Hoje, para a surpresa de todos, a Polícia Militar cercou os ônibus da empresa e forçou a entrada dos trabalhadores na fábrica. Isso sem nenhuma autorização judicial e interferindo à força no constitucional direito de greve.A selvageria da PM foi tamanha que muitos motoristas dos ônibus foram obrigados a atravessar o canteiro que divide as pistas laterais da empresa e avançar sobre o piquete de greve para entrar pela portaria 2 do Jardim das Indústrias.O ato descabido contou com um forte aparato de repressão: gás de pimenta, motocicletas avançando em cima dos trabalhadores em greve, tiros de borracha, gás de pimenta e muita truculência. A PM massacrou o direito de greve e feriu vários trabalhadores com empurrões, golpes de cacetete, tapas. O sindicalista Wellington Cabral foi preso durante o confronto sob a acusação de direção perigosa.Ontem, os trabalhadores já estavam sendo coagidos pela empresa por meio de assédio moral absurdo. A madrasta Johnson ameaça de demissão os grevistas, que reivindicam apenas o que lhe cabe: aumento salarial e preservação dos direitos.Não é de hoje que a repressão policial interfere no direito de greve e na livre organização sindical dos trabalhadores. Contudo, nunca se viu uma polícia tão servil aos interesses empresariais.
Vale ressaltar: não existe nenhuma ordem judicial para interferir no direito de greve, muito menos para agredir trabalhadores a socos, tiros, tapas. Esse é o papel desempenhado pela polícia na Ditadura, mas não se pode esperar isso de uma sociedade dita democrática, em que os trabalhadores são livres para se organizarem.Apesar da atrocidade da PM, a greve continua. Muitos trabalhadores foram obrigados a entrar à força para trabalhar, mas muitos conseguiram escapar do cerco policial e participar da assembléia, que é realizada com todos os turnos de entrada.O episódio revela mais uma vez a relação promíscua entre a PM e o poder econômico. A PM não agiu conforme a lei, agiu conforme os interesses da Johnson. A selvageria se repetiu na entrada do turno administrativo, às 8h. A PM espancou trabalhadores que tentavam realizar a assembléia e obrigou muitos a entrarem na marra. Alguns trabalhadores que não usam o ônibus ainda foram coagidos pela PM na portaria da empresa a interromperem a greve.Para todos os efeitos legais e morais, a greve continua por tempo indeterminado. Agora o departamento jurídico do Sindicato dos Químicos vai tomar as devidas providências. O confronto pode se repetir na entrada do segundo turno, às 13h30. Enquanto isso, o piquete de greve continua e a luta da classe trabalhadora também.

SINDICATO DOS QUÍMICOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E REGIÃO
O Sindicato dos Químicos solicita que todos os sindicatos combativos e de luta enviem à Johnson, a FIESP uma moção de repúdio às ações da Johnson e ao aparato de repressão policial. Solicitamos também o encaminhamento de uma cópia ao Sindicato como solidariedade de classe. Essa luta é de todos nós!


INTERSINDICAL - Instrumento de Luta e Organização da classe trabalhadora

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Obama foi eleito para defender os interesses dos EUA!


Após oito anos de domínio republicano, o povo norte-americano realizou um feito inédito: elegeu pela primeira em sua história um presidente negro, filho de pai africano e nascido fora do território continental dos Estados Unidos. Trata-se de um fato realmente histórico, levando-se em consideração que até meio século atrás o racismo era praticado nos Estados Unidos de modo muito semelhante ao que era realizado na África do Sul. Portanto, a eleição de Obama contém um simbolismo especial e representa um enorme desejo de mudanças por parte do povo dos Estados Unidos.


Nesse sentido, é natural que a eleição de um presidente negro num país racista desperte simpatia em todo o mundo. Nos Estados Unidos, com a possibilidade de derrotar o setor mais reacionário, belicista e parasitário do País, a eleição despertou enormes contingentes para a política e uma mobilização expressiva, especialmente dos jovens. O comparecimento às urnas, que variava desde a década de 70 até a última eleição entre 49% e 56%, desta vez aumentou para 64,1%, o maior índice de todos os tempos na história norte-americana. Era visível na população o desejo de mudança, mas também era claro que o sistema precisava de algo diferente para se legitimar, especialmente nestes tempos de crise.


Em todo o mundo, a grande maioria da opinião pública mundial, inclusive parte da esquerda, imagina que o novo presidente norte-americano representa uma mudança efetiva para os Estados Unidos e o mundo, fato que é estimulado pela euforia da mídia. Não está aqui em jogo a figura pessoal de Barack Obama ou suas convicções: o que as pessoas não devem se esquecer é que Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos para defender os interesses norte-americanos, é parte da institucionalidade bipartidária e do sistema imperial do grande capital e não terá liberdade para se contrapor aos interesses desse sistema.


Poderá realizar algumas mudanças tópicas internas; afinal, não é preciso fazer grande coisa para se diferenciar de um governo tão desastroso como o de Bush. Mas Obama manterá a essência do sistema imperialista. Vale lembrar que Obama fez a campanha mais cara da história dos EUA, gastando US$ 650 milhões, teve o apoio maciço das grandes corporações e da grande mídia norte-americana, sem o que não poderia ter arrecadado tanto dinheiro. Não terá liberdade para realizar um programa de mudanças e, com certeza, passada a euforia inicial, virá a decepção para o povo norte-americano e para todos os que hoje reproduzem a euforia da mídia.


É necessário enfatizar ainda que o staff da campanha do novo presidente é composto pela fina flor do sionismo e do capital financeiro, inclusive estes últimos responsáveis pela implantação das políticas monetaristas e neoliberais no passado, tais como Paul Volcker, ex-presidente do FED, nos anos Carter e Reagan; Jamie Dimon, presidente do Banco de Investimentos J. P. Morgan; Timothy Geithner, ex-gerente do FMI e presidente do FED de Nova York; Laurence Summers e Robert Rubin, ex-secretários do Tesouro de Clinton e, especialmente, Warren Buffett, o maior especulador do cassino financeiro mundial em bancarrota e Rahn Emanuel, futuro chefe da Casa Civil e sionista fundamentalista, que serviu no Exército e na Inteligência de Israel.


Só os ingênuos poderiam acreditar que com gente desse naipe haverá mudanças de fundo nos Estados e no mundo. Vale lembrar ainda que a cor da pessoa não quer dizer nada, em termos políticos. A principal figura do governo Bush é negra e ultradireitista, Condolezza Rice. Quem comandou a invasão ao Iraque e mentiu sobre as armas de destruição em massa era também um negro, o secretário de Defesa Colin Powell, que por sinal apoiou Obama nestas eleições. Além disso, a burguesia que explora os trabalhadores na África é quase toda negra. Portanto, não é a cor da pele ou a etnia que definem a posição política das pessoas.


O PCB acredita que não é hora de vender ilusões para os trabalhadores ou tentar mascarar a realidade: Obama não vai realizar um governo com os sindicatos, os movimentos sociais, com os negros, os latino-americanos ou com os oprimidos em geral. Ele foi eleito em circunstâncias muito especiais, quando o sistema necessitava de um político que desse a impressão de um capitalismo com rosto humano. Mas será obrigado a defender essencialmente os interesses do sistema que o elegeu. Deverá cumprir papel semelhante ao que o líder operário Lula está cumprindo no Brasil. Aliás, é importante para o sistema ter alguém, neste momento, com capacidade de conter a indignação popular e o movimento de massas que vai emergir da crise, uma vez que os republicanos estavam completamente desmoralizados.


O novo presidente dos Estados Unidos deverá seguir com a mesma postura que caracterizou o seu mandato como senador. O próprio programa eleitoral de Obama não se difere substancialmente dos republicanos, não apresenta propostas no sentido de uma reestruturação da economia norte-americana para servir ao povo. Em seus discursos, Obama sempre procurou se colocar acima das classes; sua bandeira é a "América" e todos os valores que vêm com ela. Para os ingênuos, nunca é tarde lembrar que o novo presidente norte-americano representa o negro da classe média integrado ao sistema, muito longe das tradições de um Malcom X ou Luther King.


Por último, vale lembrar que a condição de democrata não significa um mundo de paz para a comunidade internacional. A tradição democrata é belicista, desde Woodrow Wilson, que invadiu o México, Panamá, República Dominicana e Haiti. Truman lançou as bombas atômicas contra Hiroshima e Nagasaki e Kennedy invadiu Cuba. Lyndon Johnson ampliou a guerra do Vietnã, invadiu o Cambodja e o Laos. Bill Clinton, apesar de fazer o estilo simpático, fez a primeira invasão do Iraque e o próprio Obama apoiou a fascista "Lei Patriótica" do governo Bush. Todas essas atrocidades foram cometidas nos períodos de governos democratas. Quem garante que Obama não seguirá o mesmo caminho?


Para os comunistas, Obama venceu as eleições com expressiva votação, mas os trabalhadores dos Estados Unidos, representados pelos brancos, negros, latinos, asiáticos terão que lutar muito para conquistar suas reivindicações, pois as estruturas do sistema de poder continuarão brecando qualquer mudança de fundo na sociedade estadunidense. E os povos do mundo terão que continuar resistindo à agressividade do imperialismo, que pode inclusive recrudescer, com a crise do capitalismo.

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
novembro de 2008